Leilão de crédito de carbono em SP chega a R$ 37 milhões
A empresa suíça Mercuria Energy Trading arrematou nesta manhã as 713 mil toneladas de créditos de carbono leiloadas pela Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F) / Bolsa Mercantil e de Futuros (Bovespa) e a Prefeitura de São Paulo. Os créditos foram arrecadados em lote único pelo valor de 13,689 milhões de euros (cerca de 37 milhões de reais), com o preço da tonelada a 19,20 euros - o que gerou um ágio de 35,2% em relação ao preço mínimo do leilão, que era de 14,20 euros.
O professor de Administração da Universidade Anhembi Morumbi, Alcides Cruz Junior, que atua como consultor de marketing verde, afirma que o resultado do leilão foi positivo em comparação com a edição anterior, realizada há um ano. "O valor de 37 milhões é expressivo considerando a crise econômica mundial, que também afeta o mercado de carbono".
O professor explica que a expectativa inicial para o leilão girava entre 50 e 60 milhões de reais, mesmo assim o resultado obtido foi superior ao nível atual do mercado. Com o sucesso das negociações, o Brasil se torna um potencial agente vendedor de créditos de carbono no cenário internacional. "As empresas estão se preparando para serem geradoras de créditos e já ocupamos a terceira colocação em projetos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo na ONU".
Alcides acredita que dentro de dois anos, a realização de leilões como o de hoje farão parte da rotina de muitas empresas, principalmente com a entrada do biodiesel nesse mercado. Entre as vantagens da realização de leilões em comparação com outras formas de comercialização de carbono, está o alto valor alcançado pelos certificados, a transparência na negociação e o retorno financeiro que os créditos de determinadas atividades podem trazer para o desenvolvimento do país. Isso porque 80% dos recursos devem ser revertidos em novos investimentos nos projetos que originaram as reduções de emissões.
A Prefeitura de São Paulo, responsável pelos projetos dos aterros Bandeirantes e São João que forneceram os títulos para o leilão, ficará com os recursos da venda das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs). "Ficamos extremamente satisfeitos com esse resultado", declarou a secretária adjunta do governo municipal, Stela Stein.
Ela explicou que o dinheiro será revertido em projetos de melhorias nas áreas social e de meio ambiente das comunidades próximas aos aterros sanitários. Inicialmente vão ser beneficiados os moradores de Bandeirantes, no bairro de Perus, na zona norte, e de São João, em São Mateus, zona leste da cidade. Stein observou que este é o segundo ano em que a prefeitura vai ao mercado negociar os créditos de carbono. Ela lembra que a diferença em comparação ao passado foi a valorização desses títulos no mercado internacional.
O primeiro leilão de crédito de carbono do Brasil, realizado em outubro do ano passado, negociou 808.450 toneladas de dióxido de carbono (CO2) pertencentes ao aterro Bandeirantes a um preço mínimo de 12,70 euros por tonelada. Na ocasião, o banco belgo-holandês Fortis pagou 34 milhões de reais pelos créditos (a 16,20 euros por tonelada), fazendo o leilão finalizar com um ágio de 27,6% sobre a oferta inicial. Onze instituições participaram do processo nesta manhã, sendo que oito apresentaram ofertas de compra. Dos certificados leiloados hoje, 454.657 pertencem ao Aterro Sanitário Bandeirantes, na zona norte da capital paulista.
O Aterro Sanitário São João, na zona leste, é responsável por outras 258.657 RCEs. Os gases produzidos pela decomposição do lixo são utilizados na geração de energia elétrica, sendo 170 mil megawatt/h por ano no aterro Bandeirantes e 200 mil megawatt/h no São João. EUA A Iniciativa Regional de Gases do Efeito Estuga (RGGI), que reúne 10 estados do nordeste dos Estados Unidos para a criação de um mercado "cap and trade" também realizou um leilão hoje para comercializar 12,5 milhões de toneladas de permissões de emissões para o ano de 2009. Apenas seis participantes da iniciativa americana participaram do leilão de hoje. Em dezembro será realizada outra edição, da qual provavelmente todos os membros farão parte.
O esquema, que será iniciado formalmente em 1° de janeiro de 2009, limitará as emissões de CO2 das usinas geradoras de energia pelos próximos seis anos nos níveis atuais. Nos quatro anos seguintes (entre 2015 e 2018) a meta é diminuir as emissões, progressivamente, em 2,5% por ano. O preço e a quantidade de permissões vendidas no leilão de hoje serão divulgados na segunda-feira (29) no site oficial do esquema.
FONTE: CARBONO