| O preço do carbono reagiu com uma alta de quase 150% em dois meses no maior mercado voluntário de carbono do mundo, a Bolsa do Clima de Chicago (CCX). Os preços na última semana de março alcançaram entre US$5,50 a US$5,70 por tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO2e), subindo dos US$2,30 registrados no final de janeiro. Um crescente otimismo de que um esquema nacional de comércio de emissões seja inevitável na próxima presidência dos Estados Unidos fez os preços subirem desde o final de novembro, quando alcançou a pior cotação, US$ 1,70. O pico nos preços ocorreu com todos os contratos futuros com entrega até 2010 e foi atribuído a campanha presidencial norte-americana. As primárias em janeiro e fevereiro mostraram uma corrida acirrada entre três candidatos que apóiam um sistema de cotas de emissões de gases do efeito estufa nos EUA e a implementação de um esquema obrigatório de comércio de emissões.
“Na super-terça (5.02) os preços estavam em US$1,90 por crédito e, uma vez que ficou claro que todos os três candidatos eram favoráveis ao sistema ‘cap and trade’, eles saltaram para US$ 5,60 em três semanas”, disse o chefe executivo e fundador da CCX, Richard Sandor, disse ao Serviço Público de Broadcasting dos EUA. “É um mercado poderoso e o volume está crescendo exponencialmente”, disse Sandor.
A CCX viu 23 milhões de toneladas de reduções de emissões voluntárias (internacionalmente conhecidas como VERs) serem negociadas em 2007 com mais de 17 milhões de toneladas comercializadas no primeiro trimestre de 2008. Como é o caso no esquema mandatário europeu, o comércio de carbono é conduzido principalmente pelo mercado futuro e as permissões de emissões da CCX são incluídas nos contratos futuros chamados Instrumentos Financeiros de Carbono (Carbon Financial Instruments - CFIs), onde cada um equivale a 100 toneladas de CO2e reduzidas. Mas analisar o mercado de carbono de Chicago – considerando que os níveis reais de procura e demanda guiam os preços e volumes – é uma tarefa difícil. Não é um mercado financeiro transparente. Alguns observadores acreditam que os preços têm sido administrados pela troca e comércio entre as partes, apesar de o mercado ser observado pela Autoridade de Regulamentação Financeira Industrial. As últimas reações dos preços da CCX não estão baseadas em rumores, de acordo com o chefe executivo do Evolution Markets, Andrew Ertel. A empresa está apoiando a rival Green Exchange, que está sendo estabelecida em conjunto com a Nymex, a Bolsa de Valores Mercantis de Nova York. Ele acredita que a demanda extra virá daqueles que acreditam que os CFIs terão um valor no futuro esquema de comércio mandatário. “Depois que McCain ganhou a nominação (republicana) houve especulação de subida nos preços de Chicago”, disse Ertel. “As pessoas pensaram que (os créditos da CCX) valeriam para o mercado obrigatório regulamentado. Não há senso nisso. Não seria comercializável”. Enquanto as permissões de carbono de Chicago e neutralizações podem não ser diretamente negociadas com os instrumentos de carbono que emergiriam em um esquema mandatário dos EUA, pode existir alguma forma de reconhecimento para emissores que tenham “agido mais cedo”.
“Existem fortes sinais de que os EUA terão um sistema de comércio de créditos de carbono obrigatório, então nossas transações devem crescer de várias formas”, disse ao jornal indiano Financial Express, vice-presidente executivo da CCX, Michael J. Walsh. Traduzido por Paula Scheidt, CarbonoBrasil
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